quarta-feira, 2 de julho de 2014

Dos 184 municípios cearenses 65% estão sendo atendidos pela Operação Carro-Pipa

demanda por carro pipa
Dos 184 municípios cearenses 65% estão sendo atendidos pela Operação Carro-Pipa, com veículos coordenados pelo Exército ou pela Defesa Civil do Estado. No Interior do Estado, tanto em localidades do sertão, quanto do litoral, é crescente a demanda por abastecimento de água. A maioria das regiões enfrenta crise de desabastecimento, que tende a se agravar no decorrer do segundo semestre, com o fim do período chuvoso.
O esforço do governo federal em parceria com o governo do Estado por meio da Operação Pipa I e II de abastecimento com uso de caminhões e de perfuração e instalação de poços ainda é insuficiente para atender a necessidade regional.
O coronel Claudemir Rangel dos Santos, coordenador da Operação Carro-Pipa no Ceará e no Piauí esclareceu que, atualmente, o programa está em execução em 93 municípios, pois 13 saíram temporariamente em decorrência de melhoria das reservas hídricas, favorecidas na quadra invernosa. "A maioria dessas localidades está na região do Cariri", explicou. "O Exército atende a 824 mil pessoas com o programa e há 1.018 carros-pipas contratados", completou ele.
Há expectativa de que, no decorrer do segundo semestre, ocorra maior demanda por abastecimento de água. Entretanto, o Exército não faz estimativa do número de municípios possam solicitar inclusão no programa. "Vai depender da necessidade de cada localidade rural, mas é provável que ocorra um aumento da demanda". Quanto aos recursos, o coronel Rangel reafirmou que não há interrupção e o cronograma se mantém regular desde o ano passado.
A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) é responsável pela cobertura de 40 sedes municipais por carros-pipas. Porém, atualmente, estão sendo atendidas 172 mil pessoas em 27 cidades. O Ceará foi dividido em quatro áreas (quadrantes). Em uma delas, a distribuição está suspensa desde abril, por causa de falta de repasse de verba do Ministério da Integração e burocracia no cadastramento dos motoristas e dos caminhões pipa.
De acordo com a Cedec, abastecimento por meio de carro-pipa está suspenso em parte da região Norte que inclui 13 municípios - Moraújo, Trairi, Amontada, Morrinhos, Marco, Acaraú, Itarema, Uruburetama, Apuiarés, Uruoca, Granja, São Luís do Curu e Miraíma. São cerca de 70 mil moradores que precisam de abastecimento de água.
"A nossa previsão é que em 15 dias o abastecimento nessa área será retomado e normalizado", disse o capitão Nelson Lima Uchoa, gerente do Núcleo de Resposta da Defesa Civil do Ceará. "A verba já está disponível pelo Ministério da Integração, mas há questões burocráticas no Banco do Brasil para liberar o cadastro de motoristas e de empresas para que possam receber os devidos pagamentos pelo serviço de distribuição de água". O Ministério da Integração já autorizou a liberação de R$ 3,5 milhões para atender 13 municípios da região Norte, onde atualmente o programa está suspenso. Todas as semanas, a Cedec recebe pedido de inclusão de cidades na Operação Pipa. "Durante a quadra invernosa, alguns municípios pediram suspensão temporária do programa, porque estavam favorecidos pelas chuvas, mas a partir de agora a tendência é solicitar retorno ou mesmo inclusão", observou o capitão Uchoa.
Os municípios devem solicitar por meio de ofício à Defesa Civil do Estado a inclusão no programa Carro-Pipa. Uma equipe técnica será enviada para avaliar a real necessidade, o número de famílias a serem atendidas e o percurso dos veículos. "Os técnicos elaboraram um plano de trabalho que será avaliado na Defesa Civil", explicou Uchoa. Na área um, são atendidos com o programa as seguintes cidades: Aracoiaba, Chorozinho, Cascavel, Iracema, Guaiuba, Fortim, Ererê, Pacajus, Pereiro, Maranguape, Pindoretama e Quixeré.
Os municípios de Acarape e Baturité devem ser incluídos ainda neste mês. Na área dois, são três cidades: General Sampaio, Potengi e Umari.
Na área três, 23 caminhões-pipas fazem a distribuição de água nas seguintes cidades: Alcântaras, Pacujá, Coreaú, Quiterianópolis, São Benedito, Varjota, Graça, Irauçuba, Santana do Acaraú, Ipaporanga, Massapé e Pires Ferreira.
O esforço de instituições públicas estaduais e federais para enfrentar as consequências de dois anos seguidos de seca no sertão cearense e assegurar abastecimento de água para núcleos urbanos e comunidades isoladas em áreas rurais acaba esbarrando em obstáculos burocráticos, licitações e repasse de verbas. Resultado: as ações atrasam.
Um exemplo vem do programa de perfuração de poços profundos. A perfuração faz parte da Operação Pipa II e começou em 2012, no Nordeste. Recentemente, o Exército informou que serão perfurados 200 poços na região, neste ano. Mas não basta apenas perfurar, é preciso instalar bombas e equipamentos para abastecer as comunidades.
Somente na Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) existem cerca de três mil pedidos oriundos do Interior do Ceará. A capacidade é de perfuração é de cerca de 300 poços por ano. "A demanda é crescente. Somente neste ano, já recebemos 492 pedidos", disse o diretor de Águas Subterrâneas da Sohidra, José Borges Neto. "A maioria dos poços perfurados já foi instalada pela Defesa Civil do Estado". Ele reconhece que apesar dos esforços, a quantidade de poços perfurados é insuficiente para atender à demanda. Necessidade de licitações, contratação de empresa, cadastro, pesquisa geológica, relatório e teste de viabilidade do poço contribuem para o atraso.
O titular da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, Nelson Martins, disse que o esforço do governo do Estado por meio de carros-pipa, instalação de sistemas localizados de abastecimento, perfuração de poços e implantação de adutoras de engate rápido é para não deixar nenhum núcleo urbano sem abastecimento de água.
"A determinação do governador é para que nenhuma cidade ou núcleo urbano fique sem abastecimento de água", frisou. "Desde o ano passado que ampliamos as nossas ações nesse sentido", finalizou.
Mais informações
10ª Região Militar - Operação Pipa
Fone: (85) 3255. 1675 Coordenadoria Estadual de Defesa Civil - (85) 3101. 460
SDA - (85) 3101. 8105

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