sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Trabalhadores do Ceará são os que têm a menor renda média mensal do País

O trabalhador cearense é o que tem a menor renda média mensal do País, R$ 1.019 por mês. O valor corresponde a 60% da média brasileira, que é de R$ 1.681. As mulheres cearenses têm renda ainda menor, R$ 908, enquanto os homens ganham R$ 1.098. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O Ceará sempre teve salários muito baixos, disputando com o Piauí e o Alagoas o posto de menor do País. Indústria e comércio, que são os setores que mais empregam, são também os que pagam as remunerações menores”, explica Carlos Manso, pesquisador do Centro de Aperfeiçoamento de Economistas do Nordeste (Caen), da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Os baixos salários são reflexos tanto do menor grau de desenvolvimento tecnológico aplicado nas indústrias, quanto da baixa qualificação dos trabalhadores, segundo Guilherme Muchale, economista da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). “Para se ter uma ideia, a proporção de pessoas com nível superior no Estado é a metade da brasileira”, aponta.

“A pesquisa também aponta o quanto o trabalhador ainda padece pela falta de serviços básicos que deveriam ser oferecidos pelo Estado, como saneamento e falta de ligação de água potável”, acrescenta. Segundo a Pnad, apenas 43% dos domicílios cearenses estão ligados à rede de esgoto ou possuem fossas sépticas.

Mulheres

Outro fator negativo para o Estado é o aumento da diferença dos salários de homens e mulheres, que ocorreu na contramão do registrado em âmbito nacional: em 2012, as mulheres recebiam 72,8% dos salários dos homens, saltando para 73,7% em 2013. No Ceará, as mulheres recebiam 85%, caindo para 82% neste ano.

A Pnad apresentou dados positivos para o Nordeste, que obteve a segunda maior variação do rendimento médio mensal real das pessoas de 15 anos ou mais de idade. “De 2012 a 2013, houve aumento de 5,7% na média mensal, que saltou de R$ 1.014 para R$ 1.072. A variação só foi menor do que a da Região Sul, com 7,8%”, afirma Francisco Lopes, chefe da unidade do IBGE no Ceará. O Nordeste também teve o maior aumento do emprego com carteira assinada no País, com crescimento de 6,8%, também seguido pela região Sul, com 5,3%.

“O aumento no número de registros em carteira é um fenômeno relativamente recente. A legislação facilitou a formalização no mercado de trabalho, principalmente no Ceará, que ainda tem um alto nível de informalidade”, destaca Muchale.

Sobre o desempenho da economia, o economista lembra que a economia cearense tem crescido em ritmo mais acelerado do que a nacional. “O PIB do Estado tem avançado em torno de 3% ao ano, um ritmo bem maior dos que os 0,3% da média brasileira”, conclui.

Fonte: OPOVO Online

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