quarta-feira, 5 de novembro de 2014

13º salário vai injetar R$ 3,8 bilhões na economia Cearense aponta Dieese

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 O pagamento do 13º salário deve injetar, neste ano, um valor bastante significativo na economia do Ceará. Isso porque, de acordo com estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de R$ 3,8 bilhões serão pagos por empresas públicas e privadas no Estado - 17% a mais do que em 2013. Ao todo, mais de 2,9 milhões de cearenses receberão o benefício em 2014.
No País, o valor relativo ao 13º salário a ser pago este ano alcançará R$ 158 bilhões, montante superior em 10,1%, aos R$ 143 bilhões do ano passado. A soma inclui antecipações ao longo do ano e beneficiará aproximadamente 84,7 milhões de trabalhadores, 2,9% acima do registrado em 2013. O acréscimo médio aos ganhos de cada trabalhador, aposentado ou pensionista é de R$ 1.774 mil.
Os cálculos divulgados ontem, pelo Dieese, são baseadas na coleta de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Também contribuíram para a projeção o Ministério da Previdência e Assistência Social (Mpas) e a Secretaria do Tesouro Nacional (STN).
Impacto no PIB
De acordo com o Dieese, para projeção do montante, equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma das riquezas geradas no país, foram usados valores recebidos pelos beneficiários do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), aposentados e pensionistas pelo regime próprio da União, dos estados e, pela primeira vez, dos municípios.
Além disso, no caso dos assalariados, as correções tiveram como base a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Na conta, porém, não entram informações sobre os ganhos do mercado informal e dos trabalhadores autônomos.
Na justificativa técnica, o Dieese observa que o impacto total na economia acaba sendo diluído por causa dos pagamentos antecipados. Salienta que "a maior parte do valor referente ao 13º é paga no fim do ano".
Ainda de acordo com o Dieese, mais de um terço dos beneficiários do 13º salário (32,7 milhões) são aposentados ou pensionistas. Eles recebem 29,3% do total pago (R$ 46,2 bilhões). Aposentados e pensionistas da União recebem 4,8% (7,6 bilhões). Nos estados e municípios, o valor atinge, respectivamente, R$ 6,1 bilhões (4,8%) e R$ 1,34 bilhão (0,8%).
Formais
Os empregos formais, por sua vez, alcançam 52 milhões de pessoas (61,4%), movimentando R$ 111,4 bilhões. "Entre estes, os empregados domésticos com carteira de trabalho assinada somam 2,122 milhões, equivalendo a 2,5% do conjunto de beneficiários do abono natalino. Além desses, em torno de 975 mil pessoas (ou 1,2% do total) referem-se aos aposentados e beneficiários de pensão da União (Regime Próprio)", informam os técnicos do Departamento.
De acordo com o Dieese, 2,39 milhões de pessoas receberão o adicional por conta de aposentadoria ou pensão deste ano, do ingresso no mercado de trabalho ou ainda da formalização.
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
Recursos devem ser destinados ao consumo
O Ceará tem uma participação de 2,47% no montante que será pago com o 13º salário neste ano, com um ganho médio de R$ 1.237,33, por beneficiário.
Trata-se de um acréscimo que poderia ser maior, caso o nível de rendimento do cearense não fosse tão baixo. Mesmo assim, é uma injeção importante na economia do Estado, já que tais recursos devem ser aplicados, basicamente, no consumo, posto que o mercado está aquecido e os cearenses não têm enfrentado grandes problemas com a inadimplência. As compras de fim de ano, por exemplo, são feitas praticamente apenas com os recursos do 13º salário.
É importante frisar, porém, que esses recursos não entram todos de uma vez na economia local, tendo em vista que muitas empresas antecipam parte do pagamento. Do total que será pago, o Dieese calcula que 70% será injetado neste fim de ano.
Alguns consumidores também devem guardar parte do benefício para se prepararem para os gastos do início de 2015, tais como o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e material escolar.
Reginaldo Aguiar é supervisor técnico do Dieese

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