domingo, 2 de novembro de 2014

CEARÁ PRECISA GANHAR MAIS RELEVÂNCIA NO CENÁRIO NACIONAL

O Ceará vem crescendo a uma velocidade maior que a brasileira, entretanto, ainda permanece como um dos estados mais pobres. A soma de todas as riquezas produzidas em território cearense, em 2013, totalizava R$ 105,7 bilhões, volume que representa apenas 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, que fechou o ano passado em R$ 4,84 trilhões. Abrigando 4% da população do País, o Estado tem o desafio de fazer sua economia deslanchar e ganhar mais importância no cenário nacional.
O PIB cearense de 2013 apresentou um incremento de 3,44% sobre o ano anterior - aumento maior que a média nacional no período, que foi de 2,3%. Já são, contando até junho passado, 17 trimestres em que o Ceará cresce acima que a média nacional.
"Parte considerável da performance do Ceará decorre dos investimentos públicos que acumularam entre 2007 e 2012 cerca de R$ 13 bilhões, o que coloca o Estado na quarta posição no ranking nacional, ficando atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, estados ricos do país", defende o economista Ricardo Eleutério, que é professor da Unifor e conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-CE).

Taxas decrescentes
O economista pondera, todavia, que o PIB do Ceará cresceu a taxas decrescentes no período 2011-2013: expansão de 4,30% em 2011, de 3,65% em 2012 e de 3,44% em 2013.
"O Ceará tem apresentado governos pró-ativos, tem crescido nesta última década, acima dos níveis brasileiros. Diante da limitação climática de um semiárido, que é a maioria do seu território, o desenvolvimento passa por aproveitar as vantagens comparativas já conhecidas e em fase de implementação", afirma o economista e consultor Alcântara Macedo.
Entre estas vantagens, ele cita a implantação dos polos metal mecânico e petroquímico, a manutenção e expansão do polo de indústrias leves (calçados e confecções), que pode ser capilarizado pelo interior, assim como a indústria de base têxtil. (Além do) o turismo como instrumento de inclusão, no litoral e no interior. Avançar nas energias alternativas, eólica e solar. E, por fim, promover a união da academia com o aparelho produtivo", acrescenta.
Já o presidente do Conselho Regional de Economia, Henrique Marinho, acredita que o governo estadual repensar o foco de suas políticas de incentivo. "(O governador deverá) manter com pequenas alterações de direcionamento a política de incentivos a atrações de empresas industriais, principalmente se se concentrar em empresas de tecnologia, porque essa história de polo metal mecânico é voltar ao passado industrial", defende.

Transporte e logística
Para isso, complementa, o governo deve "investir em modais de transporte e logística, principalmente os que se interligam ao Complexo Industrial do Pecém e investir na infraestrutura turística que é a verdadeira vocação do Estado". O presidente do Conselho Temático de Economia, Finanças e Tributação (Cofin) da Fiec, Fernando Castelo Branco, também defende uma maior atenção aos investimentos de logística, destacando a ferrovia Nova Transnordestina.
"A partir dela, teremos novos horizontes para a economia", garante. Segundo ele, o Executivo estadual tem a obrigação de acompanhar e exigir a concretização do empreendimento, tocado pela iniciativa privada, mas que conta com financiamento do governo federal.
Além disso, ele aponta a necessidade de se criar ramais para a ferrovia que facilitem o escoamento da produção de algumas regiões do Estado. Ele cita um ramal para a Chapada do Apodi, partindo de Limoeiro do Norte e indo até Quixadá, para o transporte de cimento, cal e carbonatos daquela área. Outro seria partindo de Santa Quitéria, onde será instalada a usina de urânio e fosfato de Itataia.

Educação
Marinho, contudo, reforça: "para tudo dar certo, não deve esquecer as promessas na área educacional integral e tecnológica, lembrando que a prioridade social deverá ser educação, educação e educação". (SS)

Diário do Nordeste

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os Comentários desse Site são de Total Responsabilidade do Visitante !
Seu comentário precisa ter relação com o assunto da matéria, caso contrario será excluído.