sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

DICAS DE SAÚDE COM LUCAS ROCHA NUTRICIONISTA: Diabetes: É só cortar carboidrato?



Quando se fala em diabetes a principal medida que se vem a mente de qualquer pessoa é a exclusão quase que total de tudo que seja carboidrato, entretanto, nem só de carboidrato é feita a terapêutica nutricional no diabetes.

Esse recente artigo objetiva mostrar o impacto da composição da dieta no controle glicêmico.

O artigo mostra que uma dieta rica em frutas e vegetais e alimentos fonte de fibras solúveis/fermentáveis possui efeito protetivo em relação ao DM2. As fibras do tipo solúvel seriam responsáveis por melhorar a resposta a insulina, o mecanismo proposto são as alterações que as fibras causariam na forma, estrutura e viscosidade dos alimentos, impactando nos processos de digestão e absorção que por sua vez se refletem nas respostas a glicose e insulina.

Aminoácidos funcionam como sinais em diversas rotas metabólicas, e também estimulam a secreção de insulina. O aminoácido leucina tem particular papel na secreção de insulina melhorando a resposta glicêmica. A co-ingestão de proteínas e aminoácidos na refeição também estaria relacionada a melhorias da resposta pós-prandial a glicemia.

Alguns estudos relacionam o consumo de dietas ricas em proteínas com resistência a insulina, estes efeitos seriam compensados por perda de peso, aumento de massa magra aminoácidos relacionados com a secreção de insulina.

Dietas hiperlipídicas reduzem a sensibilidade a insulina, enquanto que em dietas com menor valor de gorduras o impacto na resposta glicêmica estaria associada a composição das gorduras. Dietas com substituição de gorduras saturadas por monoinsaturadas levaria a redução da resistência a insulina em indivíduos obesos portadores de diabetes mellitus tipo 2.

Quanto aos micronutrientes haveria uma possível relação entre diabetes mellitus e deficiência de vitaminas do complexo B e o consumo regular de fontes de vitamina D melhoraria o controle glicêmico.

Foram observados também redução nos níveis de magnésio e zinco. As evidencias mostram que uma possível suplementação de minerais levaria a efetivas melhorias no metabolismo de glicose.

Os fitoquimicos também teriam efeitos positivos no metabolismo de glicose, embora as evidencias ainda não explicitem claramente este mecanismo.

Carboidratos não digeridos, como alguns prébioticos, são fermentados pela microbiota intestinal gerando ácido graxos de cadeia curta (AGCC) e outros metabolitos como compostos fenólicos levando a melhorias na produção de glicose hepática e glicose de jejum, mostrando assim um potencial efeito da microbiota no controle glicêmico. Além disso, os prébioticos teriam relação com a composição da microbiota.

O consumo de álcool é relatado no artigo como responsável por suprimir a produção de glicose a nível hepático, diminuindo a glicemia, a curto prazo e em valores pequenos/moderados, já o alto consumo seria responsável por prejudicar a sensibilidade a insulina piorando a tolerância a glicose e aumentando a glicemia.

Dessa forma, o artigo mostra que o controle do consumo de carboidratos, sobretudo do tipo simples não é a única medida envolvida no controle glicêmico no diabetes mellitus, mas sim parte de um complexo processo que envolve diversos outros fatores alimentares.

Russel et al. Impact of Diet Composition on Blood Glucose Regulation. Critical Reviews in Food Science and Nutrition. 2016.

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